O Principio Ecuménico

O fundamento religioso caracteriza-se pela crença e fé em algo, que pode ser um Deus, uma energia, um ser superior, ou mesmo a simplicidade do nosso estado natural, a Natureza.Dentro de uma diversidade cultural no mundo, como se verifica nos dias de hoje, em 6 mil milhões de habitantes, continua a existir a crença no indivíduo e a liberdade de escolha cultural, e até mesmo religiosa. É dentro da liberdade religiosa que nos importa fazer foco ao principio ecuménico, o principio ecuménico caracterizar-se pela aceitação activa inter-religiosa, sim activa, dado que a aceitação passiva transfigura-se no principio de respeito. Assim, como se manifesta o Principio ecuménico?
O ecuménico é manifestado através da interacção entre as diferentes religiões, que é realizada pelos seus representantes e praticantes, como um fundamento de paz e união religiosa, seguindo o critério de que cada religião é um caminho de se chegar a um mesmo fim, a espiritualização.
Assim, seguindo o mote da visita de Bento XVI a Portugal, penso que é relevante falar-se como o Principio ecuménico é manifestado na actualidade, bem como entender como tem sido entendido na sua experiência histórica.
A Igreja Católica, configura-se, na actualidade, como a matriz religiosa do mundo, a Santa Sé, configura um dos Estados mais ricos do mundo, tendo como exemplo disso a Basílica de São Pedro, situado na sua capital, o Vaticano. A grande parte da população mundial entende que todas as religiões, por serem religiões carecem da confirmação e reconhecimento da Igreja Católica, o que desde logo gera tensões e amarguras entre as crenças, dado que neste tipo de contactos subjugamos as religiões umas as outras. Neste sentido, Bento XVI, ao contrario de João Paulo II, na sua visita a Lisboa, afirmou que todas as religiões que não fosse a Igreja Católica, não eram religiões, é certo que esta afirmação para as mentes mais iluminadas e que tenham alguma formação neste ponto, isto constitui um absurdo, mas para o rebanho de “zés povinhos”, isto é considerado regra, já que foi a sua santidade, o Papa que o afirmou. Nesta afirmação, o Papa ainda reforçou que nem a Igreja Protestante de Martinho Lutero, e nem o Calvinismo, que são religiões que têm a mesma base da Igreja de Roma, a Bíblia, não são religiões.
Já, João Paulo II, contrariando esta ideia de Bento XVI, teve um papel fundamenta e preponderante na propagação do Principio Ecuménico no mundo entre as distintas religiões encetando conversações e reuniões com os representantes de todas as religiões do mundo, tal como aconteceu com o caso da Umbanda e do Candomblé no Brasil, dado que, quando a visita do antecessor Papa ao Brasil esteve em conversações com o Pai Jamil Rachid, o Presidente da União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil.
Durante o papado de João Paulo II, a união religiosa desenvolveu importantes progressos, dado que, verifica-se uma inter ligação e respeito entre as religiões como nunca antes verificado, os seus representantes ao longo desse tempo discutiam, trocavam ideias sobre as problemáticas actuais que afectam o mundo todo, tendo um papel preponderante na sensibilização dos seus seguidores, encontrando soluções comuns efectivando o principio religioso da apologia pela espiritualização do espírito, rejeitando qualquer tipo de preconceito material de ordem religiosa. Após estes grandes progressos, como este referido, Bento XVI surge como esta filosofia virada para tensões sensibilizando os seus seguidores contra as outras religiões, conduzindo a tensões, guerras e desrespeitos da Igreja de Roma perante outros.
Quanto a experiencia histórica do principio Ecuménico, bem como o respeito, a identidade, a interacção e o fundamento de cada religião, existem factos históricos que demonstram que, infelizmente, muitas vezes a fé, a crença e o fanatismo foram fundamento para guerras e perseguições.
É triste verificar-se que a Igreja Católica ao longo da sua história tem vindo a actuar com um alto grau de discriminação com as outras religiões, acabando por sufocar e matar essas crenças. Mas essa mesma Igreja que discrimina, foi fundada num seio de perseguições e de mortes pela palavra de Cristo, mas não obstante dessa experiencia, foi, e é ,a religião que mais discriminou, e discrimina, ao longo da História.
Outra característica da posição de Bento XVI contrária ao Principio Ecuménico, é defender que toda a crença religiosa inicia e encerra dentro da Igreja Católica, não reconhecendo qualquer tipo de outra religião, mas o que é certo, é que a Igreja Católica enquanto instituição e religião ainda não completou 2000 anos, configura-se como uma religião nova face ao politeísmo greco-romano, ao judaísmo, a crença ancestral nos Orixás Africanos, bem como a crença no conselho de Thor, defendida no norte da Europa, mas propriamente, na Península Escandinávia. Assim questiono, qual é a moral e a legitimidade de Sua Santidade Bento XVI em afirmar que a Igreja Católica Apostólica Romana é a única religião do mundo?
Penso que todos nós devemos reflectir nessa problemática e tirar as suas próprias conclusões de avanços e recuos verificados neste âmbito, mas sem duvida, que no cenário mundial, a maior violação deste principio encontra-se localizado na Faixa de Gaza no confronto israelo-árabe, onde baseiam a guerra no nome de Deus, recordando os velhos tempos das Cruzadas da guerra santa em nome de Deus, que com o evoluir dos tempos levou ao grande mal da sociedade actual, o Terrorismo.
Desta forma, a que existir uma linha comum, um esforço em parceria para se verificar a paz entre as religiões, e reportar esta realidade ecuménica, também, para a relação entre os representantes das próprias religiões, dentro dos nossos terreiros, por isso irmão, sejam verdadeiros irmãos amem-se e respeitem-se no intuito em comum da espiritualização e da vossa evolução espiritual.
Nunca se esqueçam da moral da criação do mundo perante os nossos ancestrais, Obatala sozinho, falhou, Ododua com os seus irmãos em um espírito inabalável de entre ajuda, triunfou pela respeito e dedicação entre todos. Não se esqueçam que nós somos os protagonistas da grande revolução ideológica do nosso país.
Um Forte Saravá a todos, e juntos vamos triunfar!

José Diogo Conde
Jornal Exercito de OXALÁ Junho 2010

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